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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

As duas caras do Brasil

Motorista devolve R$ 5,5 mil deixados em ônibus em MG

Uma bolsa contendo R$ 5.500,00 foi esquecida na madrugada de ontem para hoje num ônibus que fazia viagem de Santos (SP) a Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O dinheiro foi encontrado - e devolvido para a empresa - pelo motorista da linha, João Rodrigues da Cunha, a dois funcionários, ao fim da jornada. Até agora, a empresa não conseguiu identificar o proprietário da quantia e informou que faz contato com os passageiros do ônibus via telefone.
A bolsa estava no porta-volume de um dos passageiros, após o desembarque. Cunha afirma que não é a primeira vez que encontra pertences dentro do ônibus e os manda de volta. Ele afirma ter encontrado dinheiro, celulares e presentes. "Já devolvi até salário, quando recebi 380 reais a mais no meu pagamento. Não tenho coragem de ficar com o que é dos outros", diz.
Notícia de 16/01/08 do G1.



Enquanto isso, em Brasília...



Ministra é investigada por gastos pessoais em cartão pago pelo governo

A Controladoria Geral da União vai investigar os gastos da ministra da Igualdade Racial. Há suspeita de uso indevido de dinheiro público.
Há indícios de que a ministra Matilde Ribeiro possa ter ultrapassado o limite ético, e o gasto indevido com cartão corporativo pode ter implicações legais. O cartão foi criado em 2001 para substituir o uso do cheque da administração pública. Ele serve para o pagamento de pequenas despesas. Ministros e altos funcionários podem usá-lo.
De toda a Esplanada dos Ministérios, ela foi a recordista em gastos com cartão corporativo. A ministra Matilde Ribeiro, da Ssecretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, gastou R$ 171,5 mil com o cartão no ano passado. Uma compra, em especial, chamou a atenção da comissão de ética do governo. Matilde Ribeiro usou o cartão corporativo em uma compra de R$ 461 em um free shop, uma loja de aeroporto que vende produtos importados e não cobra impostos.
Depois que a notícia foi divulgada pela imprensa, a ministra admitiu que a compra no free shop foi um engano e devolveu o dinheiro. Mas a Comissão de Ética Pública da presidência avaliou que o problema seria mais do que ético.
“No caso dela nós achamos que pode haver implicações legais, de modo que achamos que, ao contrário de nós, a CGU (Controladoria Geral da União) tem capacidade de investigação que nós não temos", diz o presidente da comissão de ética pública Marcílio Marques Moreira.
Notícia de 29/01/2008 do Bom Dia Brasil.
Moral da história: quem devia dar o exemplo, não o faz, mas o povo resiste. O povo luta, o povo mostra que a sua essência é a honestidade e não a falcatrua e o "jeitinho" que nos atribuem. E é assim que deve ser. É esse, o exemplo do motorista, que deve ser dado, divulgado e seguido. É nele que devemos nos espelhar. Todos nós, anônimos, ilustres, ricos, pobres, políticos ou mendigos.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Governo troca a multimistura por caros produtos industrializados

Dra. Clara, médica pediatra e nutróloga, é a inventora da multimistura. A idéia surgiu quando a médica trabalhava no interior do Pará, em Santarém, para recuperar crianças desnutridas. "Para salvá-las era necessário trabalhar as potencialidade nutricionais da região e pensar em um alimento com valor nutritivo de baixo custo, paladar regionalizado e de preparo rápido", explicou a médica. A Pastoral da Criança adotou a idéia e está há 25 anos trabalhando com a multimistura, que já está em todos os estados brasileiros e em 15 países.

Os estudos da Dra. Clara revelaram que é possível obter essa complementação nutricional a baixo custo a partir do aproveitamento das partes dos alimentos que geralmente são desprezadas.

Um dia, ela decidiu sensibilizar o Ministro José Alencar para a sua causa. Era manhã da quinta-feira 06/09. Ela começou a mostrar fotografias de crianças esqueléticas, brasileiros com silhueta de etíopes, mas que tinham sido recuperadas com sua farinha barata e acessível, a multimistura. Alencar marejou os olhos. Pobre na infância no interior de Minas, o vice-presidente não conseguiu soltar uma palavra sequer. Apenas deu um longo e apertado abraço em Clara.

A pediatra pediu ao vice-presidente que não deixasse o governo tirar a multimistura da merenda das crianças. Mais do que isso, ela pediu que o composto fosse adotado oficialmente pelo governo. Clara já tinha feito o mesmo pedido ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão – mas ele optou pelos compostos das multinacionais, bem mais caros. “O Temporão disse que não é obrigado a adotar a multimistura”, lamenta Clara.

Em setembro, a luz da sala de Clara dentro do prédio do Ministério da Saúde foi cortada. Hoje, ela trabalha no escuro. “Já me avisaram que agora eu estou clandestina dentro do governo”, ironiza a pediatra. Mas ela nem sempre viveu na escuridão. Prova disso é que, neste mesmo mês, o governo comemorou a redução de 13% nos óbitos de crianças entre os anos de 1999 e 2004 – período em que a multimistura tinha se propagado para todo o País.

Clara acredita que enfrenta adversários poderosos. Segundo ela, no governo, a multimistura começou a ser excluída da merenda escolar para abrir espaço para o Mucilon, da Nestlé, e a farinha láctea, cujo mercado é dividido entre a Nestlé e a Procter & Gamble. “É uma política genocida substituir a multimistura pela comida industrializada”, ataca a pediatra. A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, reconhece que a multimistura foi importante para diminuir os índices de desnutrição infantil. “A multimistura ajudou muito”, diz. “Mas só ela não é capaz de dizimar a anemia; também se deve dar importância ao aleitamento materno.” A ISTOÉ procurou as autoridades do Ministério da Saúde, mas nenhuma delas quis se pronunciar. “O multimistura é um programa que não existe mais”, limitou-se a informar a assessoria de imprensa.

Depois disso, fica a pergunta: por que o governo resolveu trocar um composto, extremamente barato, feito de restos de alimentos que podem ser encontrados em qualquer região do país para adotar um composto industrializado da Nestlé?
Quanto dinheiro está correndo por baixo disso?? Essa a pergunta que não quer calar.


  • Este post foi baseado em reportagem feita pela Isto é.
  • Para saber mais sobre a Dra. Clara Brandão e sua multimistura, clique aqui